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>> O Site Micaretando agradece a toda produção da Banda A Cor do Som e ao Armandinho Macedo por terem concedido essa entrevista!

 

/// Armandinho e Banda A Cor do Som


Autores: Gláucia Prates Santana & Mônica Reis Pinto
Entrevista: Armandinho Macedo


>> Fotos:

 

1) MICARETANDO: Você integra a Banda A Cor do Som, criada na década de 70 e cujo nome é título de uma música de Morais e Galvão. Muitos críticos tentaram rotular o trabalho de vocês sem êxito. Como você poderia definir o trabalho da banda?

ARMANDINHO: Olha só, é uma coisa tão descompromissada, a gente nunca sentou para elaborar nada, para preparar ou ver qualquer caminho, qualquer coisa, sempre foi uma coisa muito natural. A gente compõe a gente faz as músicas juntos, existe uma alquimia natural entre nós e a coisa sempre fluiu naturalmente. A gente tem uma bagagem,assim como que eu vim do chorinho, do frevo do baião da música regional brasileira que durante muito tempo ficou conservada ficou sendo apresentada de uma maneira antiga e a Cor do Som por já ter uma visão mais de banda já ter a geração Beattles e Jimi Hendrix, toda uma coisa pop que aconteceu no mundo que fez a cabeça da gente e por a gente já trazer essa bagagem musical, naturalmente foi havendo uma fusão disso tudo, eu vejo o som da Cor do Som, assim como os Novos Baianos teve uma importância na música deles e trazer o samba, o chorinho eles tinham uma divisão tinham o regional e uma música eletrônica, a Cor do Som já trouxe tudo isso em fusão, tudo isso numa só banda, guitarra, baixo, bateria, percussão, teclado e de uma forma natural espontânea. Eu acho que o reagge da Cor do Som é uma mistura de xote, reagge,o afoxé tudo isso da maneira que a gente fez da maneira que a gente misturou tudo isso com uma pegada de guitarra uma coisa pop, eu acho que isso foi a marca maior da Cor do Som e talvez o compromisso maior com a música brasileira, porque a gente resgata toda a música regional brasileira dentro de um panorama atual, e isso foi atual em 79 quando a gente estourou levando a musica instrumental, do Jacó do Bandolim, as músicas da gente como é hoje, como a gente relembrou nesse DVD novo, e o que faço questão de dizer não tem um trabalho elaborado, essa volta nós preparamos em 20 dias, não preparamos nada de novo, eu estava viajando na Europa quando o Mu me ligou e falou: “pô tem uma proposta para a gente voltar e fazer um DVD no Canecão” e isso faltavam 40 dias e eu ainda ia passar mais 10 dias lá e eu falei : “caramba vamos lá, se está havendo um interesse, tem gravadora tem empresários interessados eu acredito que agora a maré esta a favor”. Então fazer isso mesmo não preparando um trabalho novo e sim reativando tudo que a gente fez na época de 79,80,81,82, eu acho que foi gratificante porque a gente vitalizou um som que marcou época, que influenciou vários músicos das gerações novas que se seguiram, como bandulinistas principalmente , gente dessa área do xorinho, então deu uma abertura para tudo isso quebrou aquela coisa formatizada que xorinho é assim é assado. A Cor do Som não perdeu esse espírito da música brasileira, mas sim retratou isso de uma forma nova e foi muito importante para gente botar tudo isso hoje em dia como uma coisa atual, tudo que nós fizemos uma época atrás está atual com os tempos de hoje, com tudo que a gente vê.

2) MICARETANDO: Você vai estar sempre na história do carnaval conhecido como o criador da guitarra elétrica baiana (você aperfeiçoou a invenção de Dodô e Osmar). Sem você com certeza o som que vem de cima dos trios não seria o mesmo. Como se sente carregando um mérito desses?

ARMANDINHO: Olha só isso é outra história a parte. Eu tenho uma felicidade de participar de ter tido um mestre como meu pai, que me passou todos esses ensinamentos da guitarra do bandolim, e todas essas influencias que eu tenho Jacó, Lupércio e outros tudo isso vem dele. E na verdade eu não sou o criador da guitarra, o Dodô e Osmar inventaram uma guitarra elétrica maciça, que os amigos chamavam na época de pau elétrico e eu desde pequenininho comecei a tocar desde 10 anos toco no trio com a minha influência de rock de guitarra senti necessidade de botar uma quinta corda, fiz isso na guitarra baiana, fiz no bandolim é uma quinta corda que já esta sendo usada por músicos novos, pela música atual é um recurso que eu vejo hoje fundamental para desenvolver acordes , escalas principalmente aquela pegada mais pesada no grave. Eu dei um nome para essa guitarra que chamava de pau elétrico, cavaquinho elétrico eu um dia falei para Moraes e para meus irmãos: “essa guitarra é baiana” e a gente escrevia no disco do trio elétrico cavaquinho elétrico, passamos a escrever a partir de 1977, guitarra baiana, não acho que criei e sim que aperfeiçoei um invento botei mais uma corda dei um nome praticamente batizei essa guitarra, que para mim é uma felicidade, pois tudo isso é uma transformação natural que vai acontecendo, tudo muito descompromissado, assim como Dodô e Osmar um dia inventaram o trio elétrico e não registraram porque achavam que era uma brincadeira que não tinha sentido nenhum como um invento como um registro e trio elétrico era o nome do conjunto deles tinham três instrumentos elétricos e passou a se chamar o caminhão de trio elétrico, por isso que depois passou a ser uma dupla Dodô e Osmar e eles tiveram que usar o nome o trio elétrico Dodô e Osmar e agente usa até hoje e eu vim recompletar esta trilogia, Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar que na minha vida é uma história muito importante e principalmente uma história musical de um instrumento que nasceu se criou se desenvolveu nas mão da gente e que para o mundo é uma novidade é atual é pop é rock e acima de tudo a alma é brasileira.

3) MICARETANDO: O que você achou da experiência de tocar com Moraes Moreira e Pepeu Gomes no Rock in Rio? Se houvesse um novo convite, ele seria aceito?

ARMANDINHO: Você sabe que a minha parceria com Moraes começou em 74,foi daí inclusive desta banda de apoio que nasceu A Cor do Som e esta parceria está sempre acontecendo e foram em ocasiões diferentes.Eu participei do primeiro Rock In Rio com Moraes e com Pepeu foi no último Rock In Rio num show que nós fizemos juntos no palco dois e foi muito importante também por que são duas guitarras baianas brasileiras que eu acho que devem ser mostradas para o Brasil ,da mesma forma que se faz lá fora onde se valorizam seus músicos, registram fica lá na história.O Pepeu teve uma importância fundamental principalmente para mim e para os guitarristas brasileiros,mostrou a guitarra brasileira ,eu acho que isso que é importante.A guitarra do Pepeu a guitarra baiana,essas coisas são nossa e quando agente levar daqui para fora do pais vai ser sempre uma novidade vai ser sempre uma exclusividade,principalmente tocando a música brasileira,tendo esse espírito.Eu acho que é isso que os músicos brasileiros devem fazer e não ficar copiando o que já tem os grandes mestres e tal,tem que buscar recursos novos e que são infinitos dentro da nossa música e de toda essa criatividade brasileira.

4) MICARETANDO: Seu trio, o FOBICÃO, sai no carnaval sem cordas, levando a alegria aos foliões de Salvador. Você tem dois grandes patrocinadores que são a Ford e o Governo do Estado da Bahia que ajudam a viabilizar um projeto como este. A maioria das bandas e cantores após o carnaval tem como principal rotina de trabalho os shows nos carnavais fora de época (as micaretas). Como é a rotina profissional do artista Armandinho após o carnaval?

ARMANDINHO: Eu tenho um trabalho instrumental,basicamente de bandolim me que eu tenho viajado muito.Esse ano de 2005 foi um dos anos que eu mais viajei,eu passei muito tempo na Europa,Estados Unidos, Costa Rica,grandes festivais instrumentais,estas coisas tem acontecido para mim e vira e volta eu vou fazer shows com trio elétrico,mais para a Bahia e Nordeste,mas o trabalho que eu venho atualmente desenvolvendo é este trabalho instrumental, uma pequena parcela dele com a guitarra baiana,com esse espírito brasileiro que eu falo apesar de todos estes recursos que ela tem do rock, alavanca e tal que é atual e que daqui a algum tempo não vai ser mais chamado de americano ,assim como se faz um chorinho japonês,tem clube de choro no Japão tem o rock brasileiro,e tudo isso é a evolução da coisa.Eu acho que o nosso chorinho tem que evoluir tem que acompanhar,não perdendo as suas características daquele tradicional com pandeiro cavaquinho e agente faz muito isso mas faz também esta renovação.Todos estes trabalhos para mim são muito importantes e agora voltando com A Cor do Som.Eu acho que dá para conciliar tudo isso numa boa, o chorinho a guitarra baiana, o trio elétrico e eu acho que esses são os meus rótulos, quem quiser me rotular, me rotule por isso que eu apresento.

5) MICARETANDO: Vocês já tem uma turnê marcada para depois do carnaval com A Cor do Som?

ARMANDINHO: Nós vamos fazer lançamentos nas principais capitais brasileiras do DVD que foi gravado aqui no Canecão e daí em diante é deixar a coisa acontecer,assim como tem um público da Cor do Som que acompanhou agente nos anos 70 e 80 ,este público que veio em peso aqui para o Canecão e para o reveillon que nós fizemos na Bahia,nós queremos além deste público,passar isto para um público mais novo como tem acontecido, nestes dois shows de ver uma galera mais nova talvez até os filhos dos fãns da Cor do Som, e passar isso pois é uma música atual e brasileira .

6) MICARETANDO: O único objetivo quando seu pai Osmar Macedo juntamente com Dodô inventaram o trio, era dar mais alegria a festa de rua de Salvador, prova disto é que eles nunca patentearam a invenção. Hoje o que reina no carnaval de Salvador é o comércio, dos blocos, abadás, camarotes, direito de imagem etc. Tudo é patenteado, tudo deve gerar dinheiro. Você acha que o carnaval se descaracterizou ou tudo isso é fruto de uma evolução natural?

ARMANDINHO: Eu acho que se descaracterizou em termos de carnaval.Eu não considero o carnaval da Bahia,carnaval,.O carnaval é um espírito onde a pessoa se fantasia , manifesta a sua alegria, estravaza, e o carnaval da Bahia virou um grande show e infelizmente este mercado baiano que traz coisas muito boas é o mesmo que está podando a cultura baiana.Eu vejo que aqueles que vendem abadás tem que a todo custo que botar uma atração na rua e aí acaba pegando artistas de novela e outras coisas,acaba fazendo de tudo para tornar aquele palco um atrativo para o público.É claro que hoje em dia tem as grandes estrelas por exemplo a Ivete Sangalo a Margareth o Carlinhos Brown que são umas das melhores coisas do carnaval atualmente.Este mercado de bloco não deixa passar este lado do carnaval ,até a emissora de televisão que transmite o carnaval para todo o Brasil,ela transmite um programa que interessa a ela.Esta emissora não documenta as manifestações culturais como o Ylê Aiê ,Olodum,o trio elétrico Dodô e Osmar,que deviam ter o destaque devido .Este mercado boicota tudo, tanto rádio como televisão tudo já faz parte de um sistema onde convém mostrar apenas atrações que contribuem para manter este mercado.Por que o que interessa é mostrar quem está na mídia quem ta no Gugu no Faustão e isso com certeza vai descaracterizando e mudando o rumo da coisa.O carnaval tem um lado bom de uma festa maravilhosa e meu pai se orgulhou de tudo isso até o último dia de vida dele.O carnaval que na Bahia antes acontecia na rua e era uma manifestação do povo hoje já não é mais.

7) MICARETANDO: Não poderia partir destes artistas que estão hoje na mídia como a Ivete Sangalo por exemplo e outros tentar romper com tudo isso?

ARMANDINHO: Eu vou lhe dar um exemplo,o Luiz Caldas quando estava no auge da sua carreira, com um trabalho inovador,original,bacana,puxando os trios elétricos,ele sempre teve uma personalidade muito forte e ele brigou com esse sistema ,e o que aconteceu com ele? Colocaram o Luiz fora completamente, o Morais Moreira foi banido do carnaval da Bahia então ninguém arrisca isso.É uma máfia e que não é um ou outro ta entendendo, você vê pelos grandes artistas que já estão a muito tempo e nós somos amigos e nos falamos,mas dentro daquilo é como um trem que não pode descarrilhar ,eles mantêm aquilo, a coordenação acompanha,e se esquecem de outras manifestações que não podem ser esquecidas, principalmente para quem vai documentar o carnaval para todo o Brasil.

8) MICARETANDO: Algumas bandas como Timbalada, Olodum e Araketu, tem projetos sociais. Usam a música como uma ferramenta de transformação. Você tem ou participa de algum projeto neste estilo? Como anda os projetos da Fundação Osmar Macedo?

ARMANDINHO: Nós ainda estamos registrando como Fundação.Nós temos todo um material todo um acervo de Dodô e Osmar desde o primeiro trio elétrico aos instrumentos, nós vamos fazendo dentro das nossas possibilidades.Nós temos um dia no carnaval que nós fazemos o “Abadado” o abadá dado, que não tem cordas e é trocado por uma lata de leite que nós doamos ao hospital do câncer de Salvador e para algumas creches, é o meu irmão Aroldo que está a frente disso, felizmente tem uma galera que ajuda e faz a contribuição nem com o objetivo de ir atrás do trio mas sim de ajudar.Isso como disse é feito dentro das nossas possibilidades, nós nos mantemos com uma certa dificuldade no carnaval da Bahia por que cresceu muito e os patrocínios são diluídos por todos e agente não é um bloco nós não temos os associados para manter a nossa estrutura e é o Governo do Estado que vem todo o ano segurando, por ser um trio independente, por levar uma música que é a história do carnaval que é a tradição.Para o comércio carnavalesco baiano não existe o ano passado ,só existe este ano o ano que vem e a vendagem de abadá e isso danifica muito que é o que eu já falei antes. Eu não quero aqui desprestigiar os grandes artistas da Bahia como por exemplo a Daniela Mercury que é uma pessoa que se cerca de toda essa história,e também tem prestigiado muito agente foi uma das pessoas que participou em 2000 dos cinqüenta anos do trio elétrico o Carlinhos Brown que resgata a história do carnaval antigo eu vejo o trio elétrico dele e tudo tem haver com a história do trio, a Margareth Menezes com essa fusão pop, rock,afro , a própria Ivete Sangalo e tudo isso tem uma importância fundamental,são pessoas ,são artistas de primeira grandeza e que só tem coisa boa para levar para o público.Quando eu falo de um sistema, é uma coisa que acontece por traz é uma coisa empresarial e que eles estão naquele trem é como fala o Durval Lelis “Primo é um trem agente não pode descarrilhar , nós temos que seguir” e agente compreende e vamos nos mantendo dentro desta parafernalha toda.

9) MICARETANDO: O site www.micaretando.com.br agradece pela entrevista,para nós é uma honra poder contar com uma entrevista como a sua no currículum do nosso site e gostaria que você deixasse um recado aos fãs micareteiros.

ARMANDINHO: Eu acho que os micareteiros devem procurar sempre tentar conhecer um pouco da história.As vezes as pessoas me perguntam qual é o seu bloco?Tem muita gente que não sabe que nós mantemos a história do trio independente que foi feito para o povo brincar de graça.É o único dia que ele tem para brincar para extravazar.Hoje em dia muitas pessoas não entendem,que existem os trios independentes,artistas que fazem uma música que originou tudo isso que está aí a arte expontânea.Os micareteiros que conhecem este carnaval que está aí de bloco eles precisam saber que este carnaval tem uma trajetória uma história.Muita coisa aconteceu nesta trajetória e que para mim é a importância da minha vida, são meus instrumentos, é a minha música e é isso que eu tenho para mostrar para vocês e para todo mundo.

 


 

 
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