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Coluna de ALEXADRE THAI

  • O Que Falta no Nosso Axé?

    Publicada em: Março - 2019

    Por: ALEXADRE THAI

    O Que Falta no Nosso Axé?

     

    O axé está voltando timidamente e mostrando cada vez mais a sua força. É uma excelente notícia para nós, os fãs do estilo! Os shows retornam aos poucos ao eixo Rio-São Paulo, as músicas são tocadas nas festinhas e bandas de outros estilos fazem pelo menos um set de Axé em seus shows. Mas já podemos respirar aliviados? Infelizmente, não! E nesse meu segundo post para o site Micaretando, explicarei o porquê.

     

    O Brasil é um país de proporções continentais, sendo o maior do mundo em área habitável. E tendo a quinta maior população do planeta é de se esperar que tenha inúmeras manifestações artísticas, além de vários estilos musicais. E é justamente isso que acontece. Com tantos estilos musicais, se torna natural a existência de um ciclo em que algum destes ficam em evidência em determinado momento e depois cede lugar para outro. Mas também é comum nos ritmos que estão em baixa não desaparecerem por completo. É o momento que vocês me perguntam: mas por que então o Axé desapareceu por tantos anos? Por que uma geração inteira deixou de ouvir esse maravilhoso estilo que tanto enriquece e orgulha a música brasileira?

     

    A resposta é simples: não houve renovação. Renovação de artistas, músicas e formatos. Quando me refiro a renovação de artistas, não digo que devamos esquecer nossos ídolos. Claro que não! O aparecimento de novas músicas não apagaria os hinos do axé que sempre terão lugar em nossos corações! Só que nosso coração é grande. Ele quer novidades e precisa se apaixonar! A juventude de hoje procura isso! O novo pode conviver harmoniosamente com o clássico, assim como acontece com o pop, a MPB, o samba, o rock, o sertanejo, o arrocha, o forró, entre outros. E esses estilos vão além disso: perceberam a sinergia potencial entre o novo e o clássico. Artistas consagrados lançam ou apoiam artistas novos que por sua vez puxam para a cena os artistas que o lançou. Todos saem ganhando. Eles perceberam a muito tempo o que nós ainda não percebemos.

     

    É necessário também uma maior união entre os artistas, músicos, DJs, produtores e empresários (investidores) do Axé. Mais uma vez dando como exemplo o que acontece com outros segmentos musicais. O sertanejo é um caso de sucesso.

     

    Eu particularmente sou muito fã da música brasileira e fico triste quando vejo a Bossa-Nova congelada no tempo. Ela tem muitas músicas que se tornaram clássicas do cancioneiro popular brasileiro, ganharam visibilidade internacional e inspiraram inúmeros artistas no planeta. Se não me falha a memória, Garota de Ipanema é a segunda música mais tocada de todos os tempos no mundo. Nós não regamos essa plantação como deveria e hoje ela existe apenas nas partituras, fotos e (re)gravações. Queremos isso para o nosso axé?

     

    E como fomentar e consolidar o Axé para que ele fique autossustentável? Na minha opinião, devemos fortalecer sua estrutura. E como se faz isso? Como tudo na vida, não se encontra a solução em uma única ação. Deve haver um conjunto de ações direcionadas para o mesmo fim: investimentos em novos artistas e divulgação de novas músicas; a união dos protagonistas mencionados anteriormente pressionando por espaço na mídia; promoção do estilo para o status de ritmo brasileiro e não apenas baiano (o Axé começou na Bahia, claro. Assim como o samba começou no Rio e o sertanejo em Goiás e todos são ritmos brasileiros com artistas e produtores em diversos estados). Esse é um ponto importantíssimo pois valorizaríamos os que carregam a bandeira do nosso Axé nos demais estados; fomento de escolas de percussão e projetos sociais de samba-reggae e ritmos afro, se inspirando no Olodum e na Timbalada; planejamento para exportação dos artistas de Axé e suas músicas em turnês internacionais. O axé é alegria e considero a Alegria o principal produto de exportação do Brasil, infelizmente ainda não explorado como deveria; Atualização dos formatos de show, festas e eventos do estilo, sem detrimento dos atuais. A ideia iria gerar mais opções para seu público; aumento do diálogo com outros estilos musicais nas promoções, parcerias, shows e músicas.

     

    Deixo algumas ideias no ar para serem pensadas, amadurecidas e debatidas. E sempre com a esperança de que serão efetivamente implementadas. Toda mudança começa com o primeiro passo, uma pequena ação e é sempre no agora. E vida longa ao nosso Axé!

     

    www.alexandrethai.com

     

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